Vidabrasil circula em Salvador, Espírito Santo, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo Edição Nº: 311
Data:
7/8/2002
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Entrevista

Aos 38 anos de idade,20 dos quais dedicados à vida pública,  
sem nunca ter ficado sem mandato, o deputado federal Ricardo Ferraço (PPS) está fazendo do limão uma limonada. Por força da verticalização eleitoral – os partidos só podem reproduzir nos Estados as coligações que fizerem nacionalmente –, corria o risco de não conseguir os votos suficientes para uma reeleição.  
Preferiu manter a lealdade ao projeto político de levar o senador Paulo Hartung ao governo e encarou um novo desafio: o ex-presidente da Assembléia Legislativa que acabou com a aposentadoria precoce de deputados estaduais arregaçou as mangas, encheu-se de argumentos e anunciou sua candidatura ao Senado, numa disputa com nomes de peso como Gerson Camata (PMDB), Magno Malta (PL), João Coser (PT) e Elcio Alvares (PFL), que agora desistiu da disputa. Se ganhar, Ricardo vai se tornar um dos mais jovens senadores da República.  
Nos últimos 30 dias, Ricardo Ferraço conseguiu costurar preciosas alianças e mostrar-se ao eleitor de tal forma que já está em terceiro lugar nas pesquisas de intenções de voto. Como este ano o eleitor vai poder votar em dois senadores, a última cartada de Ricardo foi escolher o senador Gerson Camata (PMDB), favorito das pesquisas, como aquele com quem pretende fazer a dupla Café (Ca de Camata e Fe de Ferraço).  
Destemido, compareceu à redação de VidaBrasil desacompanhado de assessores, dirigindo seu próprio carro e não fugiu a nenhuma pergunta. Defendeu repetidas vezes a candidatura de Paulo Hartung (PSB) ao governo, mas assegurou que, para presidente, não somente estará no palanque, mas coordenará no Estado a campanha de Ciro Gomes, seu companheiro de partido  
– Deputado Ricardo Ferraço, vamos ao clássico: por que o Sr. acha que é um bom candidato ao Senado para o Espírito Santo?  
– O Espírito Santo me fez o seu deputado federal mais votado nas últimas eleições, com cerca de 76 mil votos. Ao longo desses anos, minha energia esteve toda direcionada num esforço grande para corresponder a essa expectativa. Se essa votação me deu muita alegria, também me deu responsabilidade. Trabalhei duro para que, a partir do trabalho, correspondesse à confiança dos capixabas.  
Na Câmara dos Deputados estou muito próximo àquilo que um parlamentar pode fazer em favor do Estado, numa extraordinária desvantagem comparativa. Temos dez deputados, enquanto São Paulo tem 70, Minas tem 53, o Rio tem 46, Paraná tem 30, Santa Catarina tem 16. Isso faz uma diferença muito grande.  
O Senado é a maior e mais importante instituição pública a ser ocupada por um capixaba em Brasília, em razão de ter por finalidade a correção das desigualdades entre os 27 estados da Federação, tendo representação igual para todos eles. No Senado, o Espírito Santo vale tanto quanto São Paulo. Quero continuar trabalhando para que, a partir daí, possamos gerar melhores e maiores resultados para fazer nosso Estado ser mais conhecido e mais respeitado, em função da contribuição que dá ao desenvolvimento nacional.  
É no Senado que se dá a discussão dos mais relevantes temas de interesse do país, como a inserção soberana do Brasil na Alca (o mercado comum das Américas), seus efeitos, conseqüências, riscos e oportunidades para os brasileiros.  
– Temos quatro candidatos ao Senado: o senhor, os deputados João Coser e Magno Malta e o senador Gerson Camata. Se o senhor acha que vai ser eleito, quem vai lhe fazer companhia no Senado?  
– Se depender da minha vontade, meu esforço, minha lealdade, o senador Gerson Camata, por sua obra, sua biografia, seu equilíbrio e sua experiência.  
– Para o senhor, existe a necessidade de uma boa representação do Espírito Santo no Senado. E como senhor vê, numa eventual eleição do senador Paulo Hartung ao governo, a presença do ex-prefeito da Serra, João Batista Motta, como senador, primeiro suplente, e cuja biografia não é das mais notáveis?  
– Acho que temos que fazer uma retrospectiva. Fomos para a convenção do PSDB em 1998 com o nome de Paulo Hartung ao governo. Perdemos a convenção, porque fomos firmes e não topamos determinados acordos que nos foram oferecidos. Em política é preciso que você ganhe e governe. O atual governador fez tudo quanto é acordo para se eleger e está aí o resultado: fracassou e submeteu o nosso Estado a um constrangimento nacional, que é o pedido de intervenção.  
A convenção do PSDB escolheu o Motta como candidato ao Senado, e a única condição para o Paulo Hartung ser senador foi o Motta abrir sua vaga, e a única reivindicação que fez foi que pudesse ser o primeiro suplente, ficando como segundo suplente Odilon Nichio, de Colatina. Então, o Motta deu uma importante contribuição ao nosso processo político e, se não fosse ele, não teríamos o Paulo Hartung liderando o Espírito Santo no Senado.  
O Paulo rompeu uma estrutura política, porque não troca amizade por subserviência. Temos que ter soberania para dizer ao Brasil que temos inteligência para sermos respeitados.  
– O Sr. acha que o que acontece hoje no Espírito Santo, principalmente se relacionado ao que acontece no Rio, São Paulo, os precatórios de Santa Catarina, é cabida uma intervenção no Espírito Santo?  
– Quando um órgão da importância do conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil faz uma solicitação dessa natureza é porque é flagrante a conjuntura de absoluta degeneração do aparelho público no Estado. Não acredito que a intervenção seja a solução definitiva para os nossos problemas, essa solução está na construção de um novo governo comprometido com o bem comum e capaz de construir um projeto de desenvolvimento que inclua o conjunto de interesses do povo capixaba.  
– Mas uma intervenção três meses antes das eleições não lhe parece com cara de golpe?  
– Se essa intervenção proporcionar maior tranqüilidade ao povo capixaba e às suas instituições, ela é bem-vinda. Evidente que uma intervenção é um ato de muita força, de exceção, mas exceção é a realidade que vivemos. Os fatos são muito graves, e não apenas os elevados níveis de criminalidade. Essa criminalidade está ligada à desestruturação do poder público, ao envolvimento de facções do poder público com atividades marginais.  
Diversas ações de políticas públicas estão em risco. Um importante programa como o Programa de Saúde Família (PSF) está sob risco, porque há quase 12 meses o governo do Estado não transfere a contrapartida, que é sua parte no programa. Desde dezembro, o Conselho Estadual de Saúde não se reúne, o que pode comprometer a transferência de recursos constitucionais voltados para a saúde pública.  
Há três semanas, a Procuradoria da República falou em intervenção no Banestes. Estes fatos são muito graves, e nos dão uma visão da desestruturação das atividades básicas que o governo deve prestar à sociedade. O Espírito Santo é uma embarcação à deriva, sem rumo.  
– O governo passado, a seis meses de seu final, não estava em pior situação do que o atual?  
– Nosso Estado nunca conviveu com um nível de promiscuidade tão profunda entre os setores público e privado. Jamais governo algum revelou-se com tamanha deterioração de valores e princípios como esse. Nosso compromisso é pela construção de um novo governo, eticamente renovado, compromissado com a construção de um programa de desenvolvimento que fortaleça as vocações regionais de nosso Estado. Estou muito convencido de que viveremos um novo ciclo virtuoso. Se acertarmos o setor público, o Estado deslancha.  
Historicamente tivemos bons governos que proporcionaram desenvolvimento, inclusão e respeito nacional: Jerônimo Monteiro, Carlos Lindenberg, Jones dos Santos Neves, Cristiano Dias Lopes, Arthur Carlos Gerhardt dos Santos e, mais recentemente, Gerson Camata, que representou para o Espírito Santo o que foi Juscelino Kubtscheck para o Brasil.  
Na verdade, a sociedade capixaba tem sido muito melhor do que nossa classe política, que tem um débito com esse Estado. Precisamos reconstruir o setor público, porque os indicadores mostram que o Espírito Santo é viável: 30% do comércio exterior do Brasil passa pelo Estado; construímos o segundo parque cafeeiro do país, deixando para trás São Paulo e Paraná; representamos 10% do pólo moveleiro nacional; estamos construindo uma fruticultura diversificada e somos o único Estado do país a exportar mamão papaya para os Estados Unidos; temos avançado pólo de confecções e mais de 50% da produção nacional de mármore e granito.  
Se nosso povo teve condições de construir cadeias econômicas tão vigorosas, geradoras de riqueza, emprego, tem condições também de reconstruir um setor público no mesmo nível.  
Não adianta termos um bom governo se não tivermos em Brasília uma bancada boa, no Senado e na Câmara; não adianta bons parlamentares em Brasília se no Estado não tivermos uma boa retaguarda.  
– Dos governos que o Sr. citou como exemplo, três foram dentro do regime militar. Depois da normalidade democrática, o Sr. não citou nenhum. O jogo democrático fica em julgamento?  
– O atual governo tinha tudo para construir um ciclo muito virtuoso. Base política na Assembléia, que é importante para governar, apoio do presidente da República, boa vontade da bancada federal, apoio da população, que lhe deu um capital político que foi jogado pela janela. Então, o fracasso foi uma opção.  
– Deputado, ninguém faz opção pelo fracasso.  
– Em sã consciência, ninguém opta pelo fracasso, mas os fatos e as ações desse governo nos levam à conclusão de que esse governo tem a marca de um governo voltado para os interesses de poucos, patrimonialista, no sentido de que os conceitos de público e privado são uma coisa só. Não há parâmetros do que é público e privado.  
Esse governo comportou-se mais como um baronato do que como um governo democrático popular. Ao governo e aos seus aliados tudo era permitido, inclusive ultrapassar todos os limites dos princípios éticos. O governo utilizou até órgãos públicos para investigar adversários, um desrespeito aos direitos humanos.  
As instituições públicas estão a serviço de interesses do governo e seus aliados.  
– O Legislativo tem muita força, desde a Constituição de 1988, e as indicações são de que Paulo Hartung, se eleito, não terá maioria na Assembléia. Como se pretende contornar isso?  
– Aprendi no PPS uma tradição e formação do velho Partidão: você precisa olhar para a sua tarefa, ver o tamanho dela, e em função disso identificar aliados que queiram colaborar. Minha visão é de que o comportamento e a condução do governador é que dá o tom do relacionamento com a Assembléia.  
– E o Sr. acha que o senador Paulo Hartung vai conseguir dar esse tom à Assembléia?  
– Tenho convicção de que, pela sua experiência, formação e maturidade política, Paulo Hartung conduzirá esse relacionamento de forma diferente, com procedimentos éticos.  
O que observo é um continuísmo na Assembléia. E esse continuísmo se revela num profundo distanciamento do interesse da sociedade. Quando a Assembléia, por exemplo, dá autoridade a um governo desacreditado para privatizar um banco como o Banestes, patrimônio muito importante na construção da história do povo capixaba, acho que a Assembléia se mantém em confronto com o interesse da sociedade.  
– Isso significa que um eventual governo de Paulo Hartung não privatizaria o Banestes?  
– Temos um compromisso público, um documento assinado pelo senador Paulo Hartung, garantindo a não privatização. Acreditamos na viabilidade do Banestes, como um grande vetor de integração de nossos 78 municípios. O problema é que o banco tem sido utilizado por interesses politiqueiros.  
– Aos 38 anos, o Sr. pode se tornar um dos senadores mais jovens da República, mas não passava pela sua cabeça esse projeto para agora. A conjuntura política, que isolou o PPS da política de alianças em função da verticalização, também contribuiu para que o Sr. antecipasse um projeto que era para o futuro?  
– Dois fatores foram decisivos para a minha decisão: primeiro, minha determinação de continuar trabalhando pelo meu Estado, com melhores e maiores resultados. Compreendo que no Senado é possível fazer mais pelo Espírito Santo, e esse é meu maior desafio. Mas é verdade, também, que a conjuntura nos colocou nessa circunstâncias, porque me vi diante de dois caminhos. O primeiro o da acomodação, me candidatando à reeleição e reproduzindo no Estado a Frente Trabalhista (PTB-PDT), que tem outro candidato a governador; o outro, o fato de há 10 anos estarmos aguardando a oportunidade de ter o senador Paulo Hartung como governador, por vermos nele o líder de um processo de renovação de nossa política. E preferimos fazer política com caráter, dentro de nossas convicções e com muita lealdade.  
– O Sr. hoje tem luz própria, mas é herdeiro político de seu pai, o prefeito Theodorico Ferraço, de Cachoeiro. Quem será o herdeiro de seus 76 mil votos para deputado federal? A família prepara alguém?  
– Não acreditamos nas composições oligárquicas, mas na política, na democracia, e na capacidade de cada um buscar seu espaço. Iniciei na política há 20 anos, quando busquei um mandato na Câmara de Vereadores de Cachoeiro, aos 18 anos de idade. De lá para cá, foi muito trabalho e dedicação. Não passa na nossa cabeça dar um tratamento oligárquico à política.  
– Deputado, o suplente é muito importante para um senador com um mandato de oito anos. Quem serão os seus suplentes?  
– O primeiro é o professor Joaquim Beato e o segundo José Antônio Guidoni, empresário de São Domingos do Norte.  
Tem sido tradição a definição de suplentes em função do apelo econômico, ou da capacidade desses suplentes financiarem as campanhas políticas. Preferi a indicação de um homem simples como o professor Beato, mas com elevada estatura moral e intelectual.  
O Guidoni é de uma família humilde, que representa na minha chapa a força de um interior moderno, que acredita no trabalho, na produção real e na inovação.  
– Outro dia, vi uma entrevista do senador Gerson Camata elogiando seu pai, Theodorico Ferraço. Depois, revi os arquivos da VidaBrasil e vi um depoimento de Theodorico atacando o Camata. Recentemente o vi elogiando o senador. Hoje, o Sr. está ligado ao PPS de Ciro Gomes, enquanto Luiz Paulo é coordenador de campanha de José Serra. O Sr. mesmo, hoje, apoia o senador Paulo Hartung, mas os dois já estiveram seriamente brigados. Eu gostaria que o Sr. falasse um pouco disso, para a gente entender mais esse xadrez político.  
– No centro de todo esse xadrez, dessa grande convergência, está a maturidade e a experiência. Esse encontro é motivado pela circunstância e pela conjuntura de nosso Estado. Estamos felizes com o reencontro de Ferraço e Camata, dois homens hoje muito mais experientes, maduros, trabalhando em favor do mesmo projeto, que possa resgatar a esperança do povo capixaba. O Camata sempre será um dos maiores talentos que esse Estado já produziu em nossa política.  
A situação do Espírito Santo é tão grave que nesse processo político estamos fazendo uma separação da conjuntura nacional para a regional. Quando estamos em torno de um projeto que visa a eleição de Paulo Hartung governador, e da dobradinha com o senador Camata, a razão é identificarmos nisso uma possibilidade concreta de, a partir desse grande entendimento, construirmos um ciclo virtuoso e de prosperidade para nosso Estado. O sentido desse encontro é trabalharmos para o bem comum e pelo resgate do setor público.  
– Dá para recuperar o otimismo do capixaba? Percebe-se o capixaba meio de cabeça baixa ultimamente.  
– Concordo com você. Nosso Estado vive um baixo astral coletivo, mas estamos na ante-sala de construirmos um governo capaz de resgatar essa esperança, de elevar a auto-estima de nosso Estado. E a coordenação desse projeto está sendo colocada na candidatura de Paulo Hartung ao governo.  
– O Sr. tem dito que a capacidade de investimento do Estado está sendo zerada e que, no próximo ano, o governo pouco poderá fazer pelos municípios. Quais os caminhos para resolver os problemas municipais, haja vista que os municípios também estão de certo modo quebrados, com raríssimas exceções?  
– Quem governar o Espírito Santo a partir de janeiro de 2003 terá pela frente uma tarefa muito difícil. A desorganização é grande. Estamos com déficit mensal de R$ 15 milhões, um passivo grande por causa de reformas que não foram feitas. Quem assumir em janeiro poderá fazer pouco pelos municípios, porque a primeira tarefa será resgatar as finanças públicas para devolvermos o Estado à sociedade.  
O contribuinte que paga imposto tem sido pouco beneficiado pela absoluta desestruturação dos serviços básicos e essenciais.  
– Um exercício de futurologia: o Sr. sonha em ser prefeito de Vitória?  
– Ser prefeito de Vitória honra a qualquer capixaba. Mas a minha tarefa fundamental é ganhar a eleição para o Senado, minhas energias estarão concentradas nisso. Se conseguirmos representar o Espírito Santo no Senado, estaremos assumindo um compromisso com os 78 municípios. Portanto, a possibilidade de deixarmos esse mandato não está em consideração, porque estaríamos traindo um compromisso, que é com todo o Estado, para trabalharmos só pela capital. Meu compromisso é com todo o Estado.  
É importante salientar que há uma geração de capixabas na faixa dos 40 anos que está assumindo relevantes postos tanto no setor público quanto privado. Concordando ou não com eles, há que se dar valor a nomes como Paulo Hartung, Sérgio Vidigal, Max Filho, Guilherme Dias, Luiz Paulo Vellozo Lucas, Fábio Falce, jornalistas, médicos, profissionais de todos os segmentos, empenhados em construir uma vida de trabalho. Eu sou parte dessa geração.  
– Mas tem uma eleição de prefeito daqui a dois anos...  
– Mas disputar uma eleição pensando na seguinte nos coloca diante da reflexão de Winston Churchil, que disse que o estadista pensa na próxima geração e o político olha a próxima eleição.  
– Vou fazer uma pergunta sobre um assunto que, com certeza, surgirá na campanha. Aos 18 anos o Sr. já era vereador em Cachoeiro e nunca perdeu uma eleição, portanto, também nunca teve uma Carteira de Trabalho assinada. Outra coisa é sua juventude, que pode ser questionada para o Senado. Como o Sr. pretende responder a essas possíveis provocações?  
– Primeiro, considero um extraordinário preconceito imaginar que com 38 anos de idade eu não possa representar o Estado no Senado da República. Isso é um preconceito contra a juventude. A velocidade do mundo está nos colocando numa condição de assumirmos nossas responsabilidades o quanto antes possível. Se a Constituição diz que com 35 anos se pode assumir o cargo de senador, a idade não é um problema. Vejo nisso um preconceito grande, e sou contra todo e qualquer tipo de preconceito, que deve ser enfrentado.  
Com relação à Carteira de Trabalho assinada, a minha atividade na vida é a política. Não faço política como hobby. Política é minha atividade, é meu trabalho há 20 anos. E se não estivesse sendo eficiente, o povo já teria me demitido. Mas, pelo contrário, o povo capixaba me fez o deputado federal mais votado do Estado. O julgamento que me importa é o de Deus e do povo. Não importa o julgamento dos adversários, porque é um julgamento sob suspeita.  
– O candidato Ciro Gomes, de seu partido, esteve aqui. O Sr. esteve com ele? Como é que o Sr. vai fazer, já que o prefeito Luiz Paulo, um dos defensores de sua candidatura, é um dos coordenadores da campanha de José Serra, e Paulo Hartung, seu aliado ao governo, tem outro candidato a presidente, Anthony Garotinho, do PSB?  
– Em nível estadual, defendemos o mesmo projeto, estamos unidos. Em nível nacional, meu compromisso é com o candidato de meu partido, Ciro Gomes. Não só vou subir no palanque dele, como sou responsável pela coordenação política dele no Espírito Santo. Ele estará no Estado fazendo suas propostas absolutamente estruturadas, prevendo uma revisão desse modelo econômico perverso para a grande maioria da população.  
Enquanto estamos aqui conversando, 55 milhões de brasileiros estão excluídos do mercado de consumo, 23 milhões de brasileiros não tiveram acesso a um prato de comida. Estaremos visitando municípios e o Estado em defesa deste que consideramos um bom projeto para o país.  
– Então, essa verticalização imposta pelo TSE está criando esses monstrinhos eleitorais?  
– Do ponto de vista conceitual, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral é acertada, porque representa um esforço pela construção de partidos nacionais. Isso é importante. A violência está no fato de o TSE ter adotado uma decisão que contraria o Artigo 16 do Código Eleitoral, que determina que qualquer mudança no processo eleitoral só pode ocorrer até, no máximo, 12 meses antes das eleições. O constituinte de 1988 escreveu isso para evitar casuísmos que tumultuassem os processos eleitorais.  
Essa tentativa do TSE já foi feita anteriormente, em 1966, quando o regime militar implantou o bipartidarismo no país, importando um modelo americano, de republicanos e democratas, e inglês, de conservadores e trabalhistas. Mas são países com formação e cultura diferentes. O equívoco do TSE é imaginar que por decreto você possa resolver questões tão complexas como essa.  
O que estamos assistindo em todo o país são arranjos regionais em que projetos estaduais estarão sendo construídos em detrimento dos projetos nacionais. O que está acontecendo no Espírito Santo está ocorrendo em muitos estados do país, porque essa verticalização teve a força de um ato institucional que, por decreto, tentou organizar um sistema político que deve ser organizado na base da consciência e de processos.  
– Seu recado final para o povo capixaba.  
– Pela primeira vez no Estado, alguém vai tentar chegar com minha idade ao Senado da República. Se o Espírito Santo me honrar com essa função, certamente estará produzindo um representante intransigente na defesa dos interesses capixabas.  
Estarei trabalhando para alterar a inserção de nosso Estado no cenário nacional, na base do debate, da capacidade. Sinto-me pronto e preparado para trabalhar e produzir mais para fazer com que o nosso Estado seja mais conhecido e mais respeitado, porque somos muito importantes para o Brasil, e é preciso que Brasília dê ao Espírito Santo o que o Espírito Santo tem de direito  
 
 



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