Vidabrasil circula em Salvador, Espírito Santo, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo Edição Nº: 288
Data:
15/8/2001
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Casamento de Juliana e Rodrigo une as famílias de Paulo Zuba e Sérgio Albuquerque de Abreu Lima
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Após recarregar as baterias na Europa, o presidente da AL, JC Gratz, volta para sacudir a política
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Gente célebre e bonita no terceiro aniversário do grupo Garotos da Praia
PERFIL

Ex digito gigans – pelo dedo se identifica o gigante – diziam os romanos. Pela análise do que a NBA faturou durante a carreira de Michael Jordan, percebe-se o gigantismo do fenômeno comercial ligado ao jogador. Até ao dia em que Jordan se fartou de encantar multidões.  
 
Uma estatística da “Sports Illustrated for Kids”, realizada junto  
à população infantil dos Estados Unidos, ativou o alarme. As crianças americanas citavam Deus como primeiro ídolo, seguido de Michael Jordan. Os pais foram citados apenas em terceiro lugar. A sondagem, por peculiar que pareça, comprovou o que se temia: as hipérboles propagadas sobre o atleta do basquete criaram um monstro supermidiático. Slogans como “errar é humano. Para Michael Jordan não!” ou “Eu quero ser como Mike!” elevaram Jordan ao panteon restrito dos deuses globais, tão reconhecidos em Nova York como em Pequim. Mas, simultaneamente, tornaram-no um dos cidadãos mais expostos do mundo. O seu abandono, no final de 1998, só espantou quem ainda não compreendera a saturação do homem que construiu a carreira desafiando as leis de sir Isaac Newton mas que, um dia, se fartou de voar...  
E, no entanto, milagre dos milagres, Jordan continuou a faturar. Considerado um produto de marketing tão americano como a Beluga é russa, Jordan manteve a esmagadora maioria dos seus patrocinadores. Continuou a rodar anúncios para a Nike e a anunciar as vantagens de comer no McDonald’s. Manteve sua quota de acionista na Oakley (óculos de sol), e entra periodicamente pelos televisores norte-americanos deliciado com o sabor do Gatorade. A maior parte dos seus patrocínios prolonga-se até meados desta década, um fato raro talvez explicável pela curiosidade que o atleta soube cultivar no seu abandono. Ao contrário da maioria dos desportistas, Jordan saiu no auge, coroado com o sexto título de campeão e sem qualquer indício da decadência desportiva que inevitavelmente afeta todos os atletas veteranos.  
A sua retirada precoce teve também um efeito paralelo: motivou uma autêntica caça às recordações. O choque da notícia provocou uma histeria nas lojas de “souvenirs”, ao ponto de a bola Wilson com a sua efígie ter esgotado durante semanas. A Nike recolocou nas prateleiras todas as linhas da marca Air Jordan (um fraco consolo para uma empresa que perdeu 5,4% na Bolsa de Nova York no dia do anúncio da decisão. Mas, em retrospectiva, Michael Jordan foi o melhor negócio da história da marca. Em 1984, David Falk, agente do recém-campeão olímpico Michael Jordan, propôs à Nike um milhão de dólares pela criação de uma linha própria de calçado desportivo.  
Bilhões para a Nike - A proposta foi aceita com reticências, tal como o são todos os projetos inovadores. O retorno desta parceria de 16 anos foi inacreditável: segundo a revista “Fortune”, a Nike embolsou 5,2 bilhões de dólares através da venda de produtos personalizados, de publicidade direta e indireta. E mais: ganhou o status, que ainda hoje detém, de patrocinar os melhores entre os melhores do esporte mundial. Quem disse que o toque de Midas se resumia às lendas mitológicas? Pelo estudo da “Fortune”, Jordan foi responsável direto ou indireto pelo faturamento de cifras até então inimagináveis por parte da NBA e das demais empresas que exploram o basquetebol. Naturalmente, esta erupção de dólares também entrou na carteira de Michael Jordan. No último ano de sua carreira, o jogador dos Bulls recebia um salário de quase 70 milhões de dólares anuais mais 100 milhões em contratos publicitários.  
E ainda teve tempo de participar do fantástico êxito cinematográfico “Space Jam” revelando mais uma personagem para o futuro: a insinuante Lola Bunny, noiva de Buggs Bunny.  
E depois do abandono?  
Desde 1998, Michael Jordan não voltou às primeiras páginas dos suplementos esportivos. Encerrou em definitivo a sua carreira de jogador de basquete, não considerou a hipótese de enveredar pelo baseball e, no golfe, apesar de bem intencionado, não passa do nível de amador. Todavia, é nas publicações sobre economia que o ex-jogador tem sido falado. À abstinência esportiva seguiu-se uma intensa fase econômica, durante a qual seu nome tem estado associado a grandes operações comerciais. O cenário é diferente, mas Jordan continua a driblar com a vontade!  
Os primeiros passos na atividade empresarial foram dados com cautela, degrau a degrau, como se temesse essa arena nova. Mas quando percebeu que o “touro era manso”, Jordan investiu rapidamente e, ao que se sabe, com ousadia.  
Aos investimentos na alimentação (tem cinco restaurantes temáticos nos Estados Unidos, um dos quais bem em frente da “sua” Universidade da Carolina Norte), seguiram-se mais patrocínios inovadores. As linhas da Nike Air Jordan Retro I, II e III têm sido um sucesso sem paralelo se atentarmos para o fato de o esportista visado já não competir. A casa Bijan, por seu lado, perdeu a cabeça e criou o perfume Michael Jordan, a primeira vez que esta perfumaria utilizou a imagem de um esportista, depois de muitos anos associada a presidentes e membros da realeza. O golfe tem sido outra oportunidade de negócio. Jordan participou na construção de dois centros da modalidade e, em fevereiro deste ano, inaugurou o seu próprio torneio.  
Empresário dos esportes - Aliás, é no esporte que Jordan se sente como peixe na água. Na qualidade de acionista das Lincoln Holdings (12%), Jordan tornou-se proprietário de várias equipes de basquetebol e de hóquei no gelo. Nos Washington Wizards, da NBA, foi nomeado diretor de operações e assumiu a polêmica decisão de abdicar do melhor jogador da entidade. No hóquei no gelo, adquiriu uma parcela dos Washingtons Capitols e repetiu a façanha numa equipe da liga feminina de basquetebol, as Washingtons Mystics.  
Recentemente, voltou a ser notícia, ao investir fortemente no comércio eletrônico, através da sua empresa MVP.com (cuja sigla significa Jogador mais Valioso), de parceria com as “estrelas” John Elway (futebol americano) e Wayne Gretzky (hóquei no gelo). Continua a desenvolver vastas operações de filantropia e não esconde a sua inclinação política pelos democratas, que o levou a apoiar o candidato Bill Bradley, rival de Al Gore na última convenção democrata antes das eleições presidenciais.  
Quando o questionam sobre a fama, costuma dizer que anseia pelo dia em que a sua opinião não for pedida e, até há pouco tempo, registrava-se nos hotéis sob o atravessado nome de Omar Schickelbrugger na esperança de não ser incomodado. É o preço da fama, argumentarão os realistas. Ou o cotidiano de um homem que nasceu para ser gigante

  






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